FONOAUDIOLOGIA
Publicada em: 24/09/2009
Quando pensamos em Fonoaudiologia a primeira coisa que vem a cabeça é a fala. Quando pensamos em fala, pensamos em comunicação e a Fonoaudiologia tenta entender e estuda a compreensão do seu desenvolvimento. Para isso temos que olhar dois tópicos importantes desse desenvolvimento: . comunicação infantil . alimentação (pré-fala)
Eles são importantes para o desenvolvimento da linguagem da criança e para facilitar a interação dela com o meio. A criança com disfunção neuro-motora apresenta problemas motores associados a problemas perceptivos e de aprendizagem (cognitivos) que interferem diretamente no seu desenvolvimento da fala e da linguagem. Por isso é importante identificar cedo esses problemas e trabalhá-los em conjunto para um melhor desenvolvimento do indivíduo. As alterações de movimento ou a dificuldade em executá-los alteram ou impedem a exploração que a criança deveria fazer de si e de seu ambiente. Essa exploração é o primeiro pré-requisito para a comunicação precoce da criança. Na fala essa alteração motora envolve os músculos responsáveis pela respiração, fonação e articulação. Por isso algumas crianças apresentam precocemente problemas de alimentação e problemas respiratórios. Outras apresentam dificuldades ou ausência nas vocalizações. Com isso elas têm mais dificuldade em entender e integrar movimentos comunicativos (vocalizações). A alteração motora também afeta a expressão facial, a fixação e o seguimento visual, diminuindo a interação da criança com pessoas e com o meio. No trabalho de Fonoaudiologia, enfocamos o desenvolvimento da motricidade oral, alem da adequação de tônus e postura em repouso e durante as funções alimentares. Esse desenvolvimento é feito através do aprendizado e coordenação das funções alimentares de sucção, mastigação deglutição e respiração. Com o exercício e a realização adequada dessas funções, a musculatura ganha maior dissociação e função para articular e modelar os sons da fala. Quanto à fala, o enfoque principal fica através do trabalho da respiração coordenada com as funções de fonação e articulação de cada som da fala. Para isso a criança deve estar com seu tônus normalizado e adequado e sua musculatura deve aprender a agir contra a gravidade. Quando temos alterações motoras mais graves (profundas), que impedem o desenvolvimento da fala, facilitamos/favorecemos a instalação de outras formas de comunicação. São elas: expressão facial, apontar, gestos simples e comunicação alternativa. A comunicação alternativa consiste num sistema de símbolos que são organizados em forma de estrutura frasal onde a criança escolhe os símbolos para mostrar o que quer e assim comunicar-se. Aqui o trabalho conjunto com a TO é primordial para a construção das adaptações e posicionamento que facilitem o mostrar os símbolos escolhidos e assim a criança poder se comunicar e interagir melhor com o meio. A terapia para o desenvolvimento da linguagem deve ser construída através de brincadeiras e jogos onde o objetivo maior é garantir uma resposta da criança, seja ela qual for. Ex.: se o adulto responde a uma vocalização ou a uma ação motora da criança, ele já está favorecendo o aprendizado do processo de comunicação (diálogo). As tentativas de comunicação das nossas crianças são muitas vezes mal interpretadas por causa de seus problemas motores e perceptivos, e como resultado, a comunicação é interrompida ou ignorada. Nesse processo integra-se a família que nesse convívio aprende a "ler" as respostas de sua criança e passa a estimulá-la de maneira prazerosa dentro de suas possibilidades e do seu momento de desenvolvimento.
Claudia Elisa Navacchia Fonoaudióloga claudian@grhau.com.br
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